fevereiro 27, 2008

Os Bancos ao serviço de quem?

Hoje tentei entrar num Fórum da TSF que abordava os "lucros obscenos" que se têm registado no negócio bancário.
Começo por lamentar a metodologia deste programa que "gastou" uma parte significativa do tempo com declarações de dois distintos economistas, por sinal e aparentemente de posições políticas opostas, que funcionaram como defensores do lobby "capitalista-bancário".
O Sr. João Salgueiro que ainda foi subsecretário de estado do planeamento do governo de Marcelo Caetano (1969-1971) e actual presidente da Associação de Bancos Portugueses não me surpreendeu com a suas considerações cheias de "autoridade" na matéria. Podemos resumi-las ao facto de ele ter afirmado que o bancos portugueses têm uma excelente gestão: Cortam custos e potenciam lucros altos, sendo até admirados no estrangeiro pelo alcance de resultados tão brilhantes.
É claro que ele "esqueceu-se" de referir que estes resultados tão brilhantes são conseguidos à custa da exploração desenfreada dos "clientes internos e externos"* com o objectivo de alcançar o lucro a qualquer preço!
Ficámos também a saber que a banca conta hoje nos seus quadros com 40% de licenciados o que para o Sr. João Salgueiro é um sinal de progresso. Ou será o contrário? Gente mais apetrechada mas mais mal paga.
Depois e embora o locutor o tenha chamado a atenção várias vezes, deturpou as palavras do Sr. Belmiro de Azevedo que ontem saiu a terreiro a criticar os bancos por aumentarem os preços dos serviços aos clientes quando se verificavam aumentos de custos. Mas esta é outra história...

O Sr. João Salgueiro faz-se de esquecido com a falta de escrúpulos da banca quando ela cai em cima de clientes que engana com contratos e publicidade enganosa, que agrava os preços dos serviços quando os clientes têm incumprimentos por dificuldades e lhes tenta "extorquir" dinheiro com "oferta" de novos produtos (como por exemplo cartões de crédito!). Afinal qual é o problema? Isto é democracia da boa! Isto é o mercado a funcionar!!!

Da intervenção do Sr. António Peres Metelo destaco apenas a preocupação que ele manifestou sobre o endividamento dos bancos portugueses ao estrangeiro. Quem havia de dizer que um antigo militante da UDP viria a centrar a sua atenção no estado de saúde da "economia capitalista"...

Pois é Sr. Manuel Acácio que frustração de Fórum!
Um tema tão candente e importante e chega-se ao fim com a sensação de ter havido "muita parra e pouca uva"!
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* Esta dos clientes internos e externos comecei a ouvi-la no início da década de 90 quando se falava muito em: MUDANÇA, EXCELÊNCIA, GESTÃO CENTRADA NO CLIENTE. Foi a partir daí que comecei a ver serem levadas à prática as maiores patifarias.

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