abril 26, 2017

Para terminar o dia

Nem de propósito. Ao passar por uma livraria, no final da tarde, dou de caras com um título sugestivo e bem a propósito da data.





Da sua Introdução:

"Em Outubro de 1975, o Ministério da Indústria e Tecnologia elaborou um relatório sobre as actividades da ITT em Portugal com vista à preparação de uma decisão do governo sobre este grupo multinacional.
O relatório, que é a base principal deste livro, contém importantes elementos para compreender a estratégia económica do imperialismo e particularmente a sua mais importante componente: as multinacionais.
Desse relatório a revista independente "Política Socialista" publicou um resumo em Maio do ano corrente, o que constituiu, por assim dizer, a primeira revelação sistematizada das escandalosas manobras de sabotagem económica da ITT contra o 25 de Abril." (Dezembro de 1976).

Aqui fica uma bela retrospectiva dos aplaudidos "mercados" que continuam a ser saudados por aqueles que acreditam no "Pai Natal", "Senhora de Fátima" e outras crendices.
Ontem a ITT, hoje a Golman Sachs e amanhã outra merda qualquer para nos sugar o sangue e impedir de ser LIVRES e FELIZES!

Ironia do destino: O euro a que estamos agarrados continua a ser a moeda oficial da nossa desgraça. E foi com 1 euro que eu comprei este livrinho (200,482 PTE).

fevereiro 07, 2017

Partiste companheiro!

Ontem quando me disseste já com bastante dificuldade: Até amanhã, senti que era quase uma despedida.
Acabo de saber que enfim descansaste.

O filme volta todo para trás e de repente vêm-me à memória tantos momentos que vivemos com generosidade e esperança: O 25 de Abril de 1974, as lutas que travámos na empresa onde eu  e a tua companheira Adélia trabalhávamos; Foi por isso que nos conhecemos; A luta da Rádio Renascença ocupada pelos trabalhadores, em que tu pertencias à CT; O tenebroso 25 de Novembro de 1975 que foi o ponto final numa História que poderia ter sido BELA e que degenerou nas troikas da puta que os pariu.

Esta é a imagem que guardarei de ti:


Foste um lutador toda a tua vida e por isso nutrias um profundo amor pelo teu próximo, nunca esquecendo as contradições do ser humano.

Adoravas a Guiné-Bissau e a gloriosa História da Revolução conduzida por Amílcar Cabral. Não poupavas os traidores e os corruptos e até tiveste algumas chatices com o blogue que alimentavas

Para nós que acreditamos que a revolução é um acto de amor fica claro que tu tinhas que deixar um rasto de profunda sensibilidade humana. Foi para o teu neto, o teu herói preferido, de quem falavas com tanta admiração, que deixaste uma memória tão bonita

Para finalizar um espólio de memórias (algumas bem amargas) a que te deste ao trabalho de vasculhar bem no fundo dum baú vindo da "noite negra do fascismo"

Fica aqui a minha singela homenagem ao companheiro Carlos Filipe, homem de firmes convicções e princípios, coisa que hoje já é pouco comum.

Até sempre companheiro!

janeiro 07, 2017

Uma inesperada "prenda" de Natal


Nada faria prever que passados uns dias após ter tido uma amena cavaqueira com o TiagoCarrondo acerca do projecto Fairphone e logo na ante-véspera do Natal viesse a encontrar um postal da DHL na minha caixa de correio.
Não tinha comprado nada, não esperava nenhuma encomenda…
Vai daí comecei por recordar que me tinha inscrito no canal Fairphone 2 + Ubuntu Touch por curiosidade. Tinha também trocado E-Mails com uma Marketeer do Fairphone.

Como já há muitos anos que não acredito nem costumo esperar pelo “Pai Natal” resolvi pôr tudo em pratos limpos, ligando para a DHL para ter mais elementos. Cheguei à conclusão que a coisa vinha da Holanda. Pois claro era um Fairphone que estava a chegar.


A primeira impressão foi muito curiosa porque ali estava um telefone que não fazia chamadas (nem sequer o SIM reconhece) mas que prometia umas boas horas de “luta” para o começar a conhecer.

Esquecendo que o Ubuntu nele instalado ainda é uma versão pré-Alpha e por isso muito condicionada pus-me a actualizar o software para a versão 11 que lá estava disponível…

Resultado: O telefone bloqueou e não mais reiniciou.

Como nestas coisas, muitas vezes, é assim que se aprende, lá me pus a ler as centenas de mensagens trocadas pelos muitos técnicos participantes no canal Fairphone 2 + Ubuntu Touch do Telegram.








 
Antes de continuar a descrever esta aventura gostava de deixar aqui já um link para o projectoFairphone. Vale a pena conhecer.

 
Quero destacar desde já um ponto importantíssimo: Ao contrário das grandes marcas que vendem produtos FECHADOS sem que o utilizador possa adaptar, modificar e usar os meios tecnológicos como quer, O Fairphone com Ubuntu Touch é uma peça que trará a LIBERDADE de se usar um telefone sem estar sujeito às regras rígidas do hardware e software proprietários. Não é importante? A papinha está toda feita? E os custos disso?

Acredito num futuro não muito remoto em que o utilizador é quem vai MANDAR. O fim da era de milionários esquizofrénicos, tão “espertos” que quase comandam a indústria como se um cartel de droga se tratasse…”

 
Dois dias depois…

Após o “repasto natalício” pus-me a pesquisar como sair da dormência pouco “justa” e aqui, mais uma vez, sublinho a diferença de se estar dependente de uma assistência PAGA ou então optar por pertencer a uma comunidade mundial com milhões de utilizadores, programadores e entusiastas que trocando entre si experiências, ajudam a resolver os problemas que vão surgindo.
Mas voltemos ao caso: Após várias incursões por esta página enchi-me de coragem para percorrer o caminho indicado no guia tendo em vista recuperar o software do telefone.
Ao mesmo tempo comecei a fazer perguntas no canal do Fairphone- Ubuntu Touch do Telegram.

Pôr o telefone em fastboot e entrar no recovery… Ui que coisas tão amedrontadoras para um leigo. Afinal nem tem muito que se lhe diga. O medo de errar é que nos trava!

O procedimento de facto não é muito amigável e leva o seu tempo a interiorizar. Botão de volume para cima, botão do volume para baixo, premindo ao mesmo tempo o botão de ligar. Veio-me à memória um post do Ubuntu-pt-UbuntuPhoners, quando alguém, referindo-se ao Fairphone, confessava que o que gostava mesmo era de ter um telefone com interruptores, botões e tudo!

Lá fui progredindo: Primeiro não conseguia entrar em fastboot, vim a descobrir que o cabo USB que usava não prestava para isso, depois de usar outro lá me alegrei quando apareceu a mensagem desejada no terminal. Reparem que apesar das adversidades as etapas iam-se cumprindo a caminho do objectivo. Agora já não era possível desistir e a coisa passou quase a ser uma obsessão.

 
Graças ao meu “MacBook-Killer” artilhado com o Ubuntu 16.04 LTS foi-me possível recuperar o Ubuntu Touch no Fairphone depois de instalarsoftware para o efeito
Vale a pena referir que o laptop que uso teria custado uns 1500 € se fosse de marca (Windows ou Mac). Na Assismática adquiri um maquinão e não chegou a 800 €.

E lá estava o Fairphone a olhar para mim e a perguntar: Então quando é que me consegues “Rebootar”?…


Reiniciado o caminho para colocar o Fairphone em fastboot lá consegui cumprir todas as etapas até ter a máquina pronta para o recovery.


Os ficheiros descarregados para
o laptop iam agora
ser transferidos
para o Fairphone.

 
Um erro inesperado: Depois de copiar os comandos assinalados no guia deparei-me com uma situação caricata:


Este era o comando a ser dado no terminal:

 
Quem é bom observador? (não vale ver a solução abaixo)

 
Um comando mal copiado (incompleto) não me deixava completar o processo.
Como resolvi?
Recorrendo à “ajuda on-line”


  Ultrapassado o erro comecei a ver no terminal o processo de descarga da versão 9 do Ubports a correr.

 
Depois de um bom bocado o telefone vibrou e fez o Reinício!

 
Eis o Ubuntu a “abrir” no Fairphone:



Depois foi completar o Passo 6 (Flashar o Fairphone com o “Ubuntu+Fairphone image”

 
Finalizo este testemunho agradecendo primeiro a possibilidade de ter tido o Fairphone para testar, a todos os que me ajudaram a aprender mais umas coisas neste mundo fantástico do Software Livre. Sei bem que é um terreno fértil em discussão, encontros e desencontros por muita gente boa que quer contribuir para o seu desenvolvimento e expansão.

Do ponto de vista dos Princípios situo-me como um modesto utilizador do GNU/LINUX, aberto às mensagens dos defensores do Open Source mas muito atento aos alertas da FSF(Free Software Foundation) à FSFE e à ANSOL da qual sou associado.

Comecei a utilizar e a cooperar com o Ubuntu em Janeiro de 2007 e confesso que é a distro que mais gosto. Tenho também utilizado e testado outras variantes como o Ubuntu Mate, que tenho numa máquina mais velha (ASUS A6JC com cerca de 12 anos).
Foi precisamente essa máquina que substituí este ano cedendo o A6JC à minha filha.
Tudo se pode substituir cedendo o que ainda é válido a outros. Esse é o princípio que tenho esperança se mantenha no campo do Software Livre: Evoluir sem Destruir!

Uma palavra final aos companheiros do Ubuntu-pt. Que o Novo Ano que se aproxima nos traga forças e engenho para engrandecermos o GNU/LINUX Ubuntu.

Obrigado a Todos!


Nota final:

São LIVRES de criticar, partilhar, alterar o que quiserem.
Que textos como este possam entusiasmar qualquer um a libertar-se das muitas “grilhetas digitais” que por aí andam.
Acreditem é a única forma de contribuir para o desenvolvimento sustentado da Humanidade.







dezembro 05, 2016

Investimento ou branqueamento?



Depois dizem que é o futuro e a oportunidade para sermos um país rico e modernaço...

Esta é a lição que todos devemos aprender


 
Numa alcateia, os 3 primeiros são os mais velhos ou doentes e vão à frente para marcar o ritmo do grupo.
Se fosse ao contrário, estes ficariam para trás e perderiam o contacto com a alcateia.


Logo atrás seguem-se os 5 mais fortes e no centro seguem os restantes membros da alcateia.

No final do grupo seguem os outros 5 mais fortes e por último, sozinho, segue o lobo alpha que controla tudo desde trás.

 Nessa posição consegue controlar todo o grupo, decidir a direcção a seguir e antecipar os ataques dos adversários.

A alcateia segue ao ritmo dos anciãos e sob o comando do líder que impõe o espírito de entreajuda não deixando NUNCA ninguém para trás.

Obrigado Fernanda por me teres enviado este texto.