fevereiro 07, 2017

Partiste companheiro!

Ontem quando me disseste já com bastante dificuldade: Até amanhã, senti que era quase uma despedida.
Acabo de saber que enfim descansaste.

O filme volta todo para trás e de repente vêm-me à memória tantos momentos que vivemos com generosidade e esperança: O 25 de Abril de 1974, as lutas que travámos na empresa onde eu  e a tua companheira Adélia trabalhávamos; Foi por isso que nos conhecemos; A luta da Rádio Renascença ocupada pelos trabalhadores, em que tu pertencias à CT; O tenebroso 25 de Novembro de 1975 que foi o ponto final numa História que poderia ter sido BELA e que degenerou nas troikas da puta que os pariu.

Esta é a imagem que guardarei de ti:


Foste um lutador toda a tua vida e por isso nutrias um profundo amor pelo teu próximo, nunca esquecendo as contradições do ser humano.

Adoravas a Guiné-Bissau e a gloriosa História da Revolução conduzida por Amílcar Cabral. Não poupavas os traidores e os corruptos e até tiveste algumas chatices com o blogue que alimentavas

Para nós que acreditamos que a revolução é um acto de amor fica claro que tu tinhas que deixar um rasto de profunda sensibilidade humana. Foi para o teu neto, o teu herói preferido, de quem falavas com tanta admiração, que deixaste uma memória tão bonita

Para finalizar um espólio de memórias (algumas bem amargas) a que te deste ao trabalho de vasculhar bem no fundo dum baú vindo da "noite negra do fascismo"

Fica aqui a minha singela homenagem ao companheiro Carlos Filipe, homem de firmes convicções e princípios, coisa que hoje já é pouco comum.

Até sempre companheiro!

janeiro 07, 2017

Uma inesperada "prenda" de Natal


Nada faria prever que passados uns dias após ter tido uma amena cavaqueira com o TiagoCarrondo acerca do projecto Fairphone e logo na ante-véspera do Natal viesse a encontrar um postal da DHL na minha caixa de correio.
Não tinha comprado nada, não esperava nenhuma encomenda…
Vai daí comecei por recordar que me tinha inscrito no canal Fairphone 2 + Ubuntu Touch por curiosidade. Tinha também trocado E-Mails com uma Marketeer do Fairphone.

Como já há muitos anos que não acredito nem costumo esperar pelo “Pai Natal” resolvi pôr tudo em pratos limpos, ligando para a DHL para ter mais elementos. Cheguei à conclusão que a coisa vinha da Holanda. Pois claro era um Fairphone que estava a chegar.


A primeira impressão foi muito curiosa porque ali estava um telefone que não fazia chamadas (nem sequer o SIM reconhece) mas que prometia umas boas horas de “luta” para o começar a conhecer.

Esquecendo que o Ubuntu nele instalado ainda é uma versão pré-Alpha e por isso muito condicionada pus-me a actualizar o software para a versão 11 que lá estava disponível…

Resultado: O telefone bloqueou e não mais reiniciou.

Como nestas coisas, muitas vezes, é assim que se aprende, lá me pus a ler as centenas de mensagens trocadas pelos muitos técnicos participantes no canal Fairphone 2 + Ubuntu Touch do Telegram.








 
Antes de continuar a descrever esta aventura gostava de deixar aqui já um link para o projectoFairphone. Vale a pena conhecer.

 
Quero destacar desde já um ponto importantíssimo: Ao contrário das grandes marcas que vendem produtos FECHADOS sem que o utilizador possa adaptar, modificar e usar os meios tecnológicos como quer, O Fairphone com Ubuntu Touch é uma peça que trará a LIBERDADE de se usar um telefone sem estar sujeito às regras rígidas do hardware e software proprietários. Não é importante? A papinha está toda feita? E os custos disso?

Acredito num futuro não muito remoto em que o utilizador é quem vai MANDAR. O fim da era de milionários esquizofrénicos, tão “espertos” que quase comandam a indústria como se um cartel de droga se tratasse…”

 
Dois dias depois…

Após o “repasto natalício” pus-me a pesquisar como sair da dormência pouco “justa” e aqui, mais uma vez, sublinho a diferença de se estar dependente de uma assistência PAGA ou então optar por pertencer a uma comunidade mundial com milhões de utilizadores, programadores e entusiastas que trocando entre si experiências, ajudam a resolver os problemas que vão surgindo.
Mas voltemos ao caso: Após várias incursões por esta página enchi-me de coragem para percorrer o caminho indicado no guia tendo em vista recuperar o software do telefone.
Ao mesmo tempo comecei a fazer perguntas no canal do Fairphone- Ubuntu Touch do Telegram.

Pôr o telefone em fastboot e entrar no recovery… Ui que coisas tão amedrontadoras para um leigo. Afinal nem tem muito que se lhe diga. O medo de errar é que nos trava!

O procedimento de facto não é muito amigável e leva o seu tempo a interiorizar. Botão de volume para cima, botão do volume para baixo, premindo ao mesmo tempo o botão de ligar. Veio-me à memória um post do Ubuntu-pt-UbuntuPhoners, quando alguém, referindo-se ao Fairphone, confessava que o que gostava mesmo era de ter um telefone com interruptores, botões e tudo!

Lá fui progredindo: Primeiro não conseguia entrar em fastboot, vim a descobrir que o cabo USB que usava não prestava para isso, depois de usar outro lá me alegrei quando apareceu a mensagem desejada no terminal. Reparem que apesar das adversidades as etapas iam-se cumprindo a caminho do objectivo. Agora já não era possível desistir e a coisa passou quase a ser uma obsessão.

 
Graças ao meu “MacBook-Killer” artilhado com o Ubuntu 16.04 LTS foi-me possível recuperar o Ubuntu Touch no Fairphone depois de instalarsoftware para o efeito
Vale a pena referir que o laptop que uso teria custado uns 1500 € se fosse de marca (Windows ou Mac). Na Assismática adquiri um maquinão e não chegou a 800 €.

E lá estava o Fairphone a olhar para mim e a perguntar: Então quando é que me consegues “Rebootar”?…


Reiniciado o caminho para colocar o Fairphone em fastboot lá consegui cumprir todas as etapas até ter a máquina pronta para o recovery.


Os ficheiros descarregados para
o laptop iam agora
ser transferidos
para o Fairphone.

 
Um erro inesperado: Depois de copiar os comandos assinalados no guia deparei-me com uma situação caricata:


Este era o comando a ser dado no terminal:

 
Quem é bom observador? (não vale ver a solução abaixo)

 
Um comando mal copiado (incompleto) não me deixava completar o processo.
Como resolvi?
Recorrendo à “ajuda on-line”


  Ultrapassado o erro comecei a ver no terminal o processo de descarga da versão 9 do Ubports a correr.

 
Depois de um bom bocado o telefone vibrou e fez o Reinício!

 
Eis o Ubuntu a “abrir” no Fairphone:



Depois foi completar o Passo 6 (Flashar o Fairphone com o “Ubuntu+Fairphone image”

 
Finalizo este testemunho agradecendo primeiro a possibilidade de ter tido o Fairphone para testar, a todos os que me ajudaram a aprender mais umas coisas neste mundo fantástico do Software Livre. Sei bem que é um terreno fértil em discussão, encontros e desencontros por muita gente boa que quer contribuir para o seu desenvolvimento e expansão.

Do ponto de vista dos Princípios situo-me como um modesto utilizador do GNU/LINUX, aberto às mensagens dos defensores do Open Source mas muito atento aos alertas da FSF(Free Software Foundation) à FSFE e à ANSOL da qual sou associado.

Comecei a utilizar e a cooperar com o Ubuntu em Janeiro de 2007 e confesso que é a distro que mais gosto. Tenho também utilizado e testado outras variantes como o Ubuntu Mate, que tenho numa máquina mais velha (ASUS A6JC com cerca de 12 anos).
Foi precisamente essa máquina que substituí este ano cedendo o A6JC à minha filha.
Tudo se pode substituir cedendo o que ainda é válido a outros. Esse é o princípio que tenho esperança se mantenha no campo do Software Livre: Evoluir sem Destruir!

Uma palavra final aos companheiros do Ubuntu-pt. Que o Novo Ano que se aproxima nos traga forças e engenho para engrandecermos o GNU/LINUX Ubuntu.

Obrigado a Todos!


Nota final:

São LIVRES de criticar, partilhar, alterar o que quiserem.
Que textos como este possam entusiasmar qualquer um a libertar-se das muitas “grilhetas digitais” que por aí andam.
Acreditem é a única forma de contribuir para o desenvolvimento sustentado da Humanidade.







dezembro 05, 2016

Investimento ou branqueamento?



Depois dizem que é o futuro e a oportunidade para sermos um país rico e modernaço...

Esta é a lição que todos devemos aprender


 
Numa alcateia, os 3 primeiros são os mais velhos ou doentes e vão à frente para marcar o ritmo do grupo.
Se fosse ao contrário, estes ficariam para trás e perderiam o contacto com a alcateia.


Logo atrás seguem-se os 5 mais fortes e no centro seguem os restantes membros da alcateia.

No final do grupo seguem os outros 5 mais fortes e por último, sozinho, segue o lobo alpha que controla tudo desde trás.

 Nessa posição consegue controlar todo o grupo, decidir a direcção a seguir e antecipar os ataques dos adversários.

A alcateia segue ao ritmo dos anciãos e sob o comando do líder que impõe o espírito de entreajuda não deixando NUNCA ninguém para trás.

Obrigado Fernanda por me teres enviado este texto.


outubro 22, 2016

Velhos camaradas nunca se esquecem

Parabéns Carlos Filipe.
Pelo teu aniversário e por teres velhos camaradas que não te esquecem.
As vidas de luta valem sempre a pena.
Forte abraço.