fevereiro 06, 2019

Recordando a "Off&Sina de Música"

Corriam os Anos 90 quando integrei um projecto de música popular portuguesa lá para os lados da Moita, “OFF&SINA DE MÚSICA”. Aos fins de semana aproveitávamos o tempo a construir um repertório muito fruto da pesquisa que o João fazia indo buscar temas ao cancioneiro popular português, cantos de resistência e muito mais...

Faziam parte da "banda": JoãoPimentel (cordas, arranjos e direcção), VítorFélix (cordas, ponteira e voz), Rui Silva (flauta e sax), Álvaro Faria (percussões), JaimePereira (baixo eléctrico), Pedro Martins (teclados) e Isabel e Paula nas vozes femininas. Mais tarde viríamos a contar com a voz do Francisco Naia.
Concerto contra a guerra do Golfo

Uma das características mais interessantes do grupo residia nas várias vivências musicais dos seus elementos. Eu vinha do Pop-Rock com passagem prolongada pela MPB feita por cá e trazia a influência dos “graves eléctricos” misturados com a negritude dos sons que oferecia uma espécie de “fusão” com o tradicional das cordas do João e do Vítor mas duma forma inovadora. As percussões do Álvaro acrescentavam um sabor “afro-cubano” à coisa, enquanto os teclados do Pedro ajudavam a dar corpo às várias ideias e arranjos.

Ainda hoje estou para saber onde fui “arranjar” aquelas frases “baixísticas”, eu que nunca fui um tecnicista!

Recordo alguns espectáculos em que participámos: Feira da Moita; No Porto e Almada, em apoio a uma actividade política; No 1.º de Maio em Setúbal (1991); E ainda num concerto contra a guerra do Golfo, no antigo Pavilhão dos Desportos. Este último, no dia 27 de Fevereiro de 1991, dizendo nós por piada que tínhamos acabado com a guerra. De facto no dia seguinte isso foi anunciado ao mundo!

1.º de Maio - Setúbal (1991)
Passados 28 anos resolvemos marcar um almoço para matar saudades, isto no seguimento de um encontro que tive com o João Pimentel a propósito do lançamento do livro e CD da sua autoria:
"Vinho&Amigo o Mais Antigo" - Canções de beber dedicadas aos verdadeiros amigos pela OFF&SINA DE MVSICA.
Depois de uma feijoada à Transmontana que a Isabel preparou de uma forma soberba dando o mote ao “vinho & amigo o mais antigo” foi uma tarde muito bem passada.

Sabem que mais, achei todos na mesma. O Vítor Félix hoje um gaiteiro de primeira água; O João Pimentel sempre com o saber recordar; O Álvaro Faria que me pôs a alcunha do "molas", por eu estar sempre a tocar aos saltos, grande percussionista e um homem enérgico do caraças, ainda hoje está assim; Infelizmente o Rui Silva já partiu e o Pedro Martins não sabemos onde pára.

Os "4 mosqueteiros" da Off&Sina de Música - Janeiro 2019

Embora a vida se tenha encarregue de nos separar, vale a pena recordar a música, a cumplicidade e a amizade que nunca morreu.






janeiro 24, 2019

Estava em falta!...


Quando no início de 2016 comecei a sentir mais conforto e paz de espírito prometi a mim próprio, e terei confidenciado a poucas pessoas, que escreveria umas linhas de agradecimento a muitas pessoas que foram importantes para a minha recuperação de um carcinoma na próstata que inesperadamente me “apanhou” nesta fase da vida.
Estou em falta há cerca de 3 anos mas depois de me encher de coragem e me começar a organizar aqui está: Como se diz na reinação “O prumutido é duvido”
A minha mulher ajudou muito como memória porque se não fosse ela a maior parte dos nomes daquelas e daqueles que me ajudaram no IPO teriam ficado para sempre esquecidos. Afinal lá estavam eles todos num “carnet” onde ela regista tudo e mais alguma coisa.
No dia 3 de Dezembro de 2015 pelas 9 da manhã entrei na UCA/Braquiterapia depois de ter sido “escoltado” por 3 senhoras enfermeiras que me levaram numa cama rolante de um dos quartos de internamento, onde tinha entrado no dia anterior às 16 horas e pernoitado (e ó que noite!)*. A “excursão” pelas “catacumbas” do IPO, como referia uma das bem dispostas senhoras, parecia fazer parte de uma encenação, mas não. A “cama rolante”(*1) teve de fazer um percurso que incluiu descidas de elevador, passagens subterrâneas para finalmente “aterrar” na UCA depois de nova descida por outro elevador.
Ia ser submetido a uma braquiterapia de alta taxa que a Dra. Maria Fortunato me tinha recomendado para evitar muitas sessões de radioterapia. Das 36 que eram necessárias apenas tive que fazer 13 graças a este tratamento. Recordo como se fosse hoje, quando ela me perguntou se eu aderia ao tratamento ao que respondi: Eu faço o que a Senhora Dra. achar melhor. E assim foi.
Na sala da braquiterapia esperava-me uma equipa que podia ser de futebol porque eram 11 se não me engano: 2 médicas radiologistas, 2 físicos, 2 urologistas, 1 anestesista, 2 enfermeiras e 2 enfermeiros. E lá estive até às 15:30h, hora a que cheguei ao recobro onde matei a fome com a especialidade da cozinha do IPO, segundo o enfermeiro que ma arranjou: Um arroz doce com pudim incluído depois de um cházinho e uma torrada!
Saí no dia seguinte.
De 23 a 31 de Dezembro de 2015, e de de 4 a 13 de Janeiro de 2016 recebi as sessões de radioterapia. Todas as manhãs era recebido com carinho e simpatia por 3 meninas fantásticas que cuidavam para que tudo corresse bem do ponto de vista técnico e humano. As três 5 estrelas!
Muito se passou entretanto e seria fastidioso estar aqui a relatar as dificuldades vividas. Uma coisa foi certa tive um acompanhamento fantástico que me permitiu chegar aos dias de hoje praticamente recuperado.
Não posso deixar de realçar a acção da Dra. Maria Fortunato que nunca deixou de me apoiar e que ainda hoje me segue. Para ela vai o meu primeiro destaque.
Para todas e todos os outros médicos, enfermeiros administrativos e auxiliares o meu reconhecimento pelo grande humanismo que demonstraram ao longo do tempo.
Aqui fica o registo de todos os nomes que recordo:
Radioterapia
Dra. Maria Fortunato
Dra. Cristina Travancinha
Enfermeira Dora
Enfermeira Vânia
Enfermeira Ana

Técnicas Rádio – Carla, Inês e Dina
Auxiliar Sábado
Administrativos – José Luís Alves e Élia Carraca
Urologia
Dr. Jorge Silva
Dr. Eduardo Silva
Enfermeira Cláudia
Psiquiatria
Dr. João Graça
 -----------------------------------------------
(*) Após ingerir uns litros de um líquido muito eficaz fiquei mais limpinho por dentro tipo “OMO lava mais branco”!
(*1) As coisas roladas parecem perseguir-me ou não fosse eu um verdadeiro “Rocker” ☺!


fevereiro 12, 2018

Ah! Afinal ainda não nasceu...

Há dias saltou-me à vista um cartaz, que tendo já alguns meses, me levou a recordar alguns episódios tristes e lamentáveis passados comigo recentemente.
Nasci em Belas no Século passado (1948) e desde os 7 anos de idade que vivo em Queluz, onde casei e vi crescer os meus filhos que tiveram um acompanhamento nos cuidados de saúde que sempre considerei excelentes, sempre no SNS e num "Centro de Saúde" que resistiu anos a fio na rua dos Lusíadas.
A mudança de instalações que levou anos de discussões autárquicas parecia abrir uma nova etapa nos cuidados de saúde à população.

Tal como diz o cartaz "Aqui vai nascer o Centro de Saúde de Queluz..." mas ainda não nasceu...
Médico de família não há, atendimento salvo uma ou outra excepção é péssimo, contactos, marcações, etc, isso então uma dor de cabeça. É ver filas de pessoas às 7 da manhã. ao frio à espera de serem atendidas. Se juntarmos a isto a arrogância de algumas funcionárias temos um quadro deplorável e inqualificável. Devo fazer justiça ainda à enfermagem que conheço há muitos anos e que deve ser a única mais valia existente.
Tenho várias queixas e reclamações apresentadas no local e nos serviços responsáveis dos quais ainda não obtive respostas ou soluções para os meus problemas. Recorri ainda ao Provedor de Justiça (porque há anos tinha tido uma boa experiência na resolução de alguns problemas) que após várias insistências da minha parte produziu uma resposta tipo "NIM".

Vamos lá agora a esclarecer aqui umas coisinhas...
Não alinho na fácil acusação aos políticos actuais no governo sobre a miséria em que se encontra o SNS. Este serviço foi sabotado há muitos anos... Anos 80/90 onde tudo começou a passar para o privado graças ao "capitalismo popular" defendido pelo "grande timoneiro" da direita.
Não confio no actual ministro da Saúde e também não percebo porque razão os partidos da esquerda não denunciam COM FACTOS E NÚMEROS os crimes cometidos pelo governo da troika. Será difícil perceber que depois de tal destruição feita pelo governo que o actual presidente gosta tanto de enaltecer o do (PPD-CDS) é impossível recuperar a situação que é continuamente sabotada pelos privados e pelos seus "aliados" que minam o SNS?

Podem contar com a minha resistência. Seguros de saúde NÃO, assistência privada NÃO.
Continuarei a bater-me por um SNS e não abdico daquilo a que tenho direito: Uma assistência condigna, eficiente, profissional e HUMANA.

abril 26, 2017

Para terminar o dia

Nem de propósito. Ao passar por uma livraria, no final da tarde, dou de caras com um título sugestivo e bem a propósito da data.





Da sua Introdução:

"Em Outubro de 1975, o Ministério da Indústria e Tecnologia elaborou um relatório sobre as actividades da ITT em Portugal com vista à preparação de uma decisão do governo sobre este grupo multinacional.
O relatório, que é a base principal deste livro, contém importantes elementos para compreender a estratégia económica do imperialismo e particularmente a sua mais importante componente: as multinacionais.
Desse relatório a revista independente "Política Socialista" publicou um resumo em Maio do ano corrente, o que constituiu, por assim dizer, a primeira revelação sistematizada das escandalosas manobras de sabotagem económica da ITT contra o 25 de Abril." (Dezembro de 1976).

Aqui fica uma bela retrospectiva dos aplaudidos "mercados" que continuam a ser saudados por aqueles que acreditam no "Pai Natal", "Senhora de Fátima" e outras crendices.
Ontem a ITT, hoje a Golman Sachs e amanhã outra merda qualquer para nos sugar o sangue e impedir de ser LIVRES e FELIZES!

Ironia do destino: O euro a que estamos agarrados continua a ser a moeda oficial da nossa desgraça. E foi com 1 euro que eu comprei este livrinho (200,482 PTE).