Dezembro 06, 2010

Como ter um Netbook livre de Windows

Embora já com uns meses de atraso não quero deixar de registar a saga que vivi quando procurei adquirir uma máquina deste tipo para instalar o Ubuntu.
Tinha conhecimento que haveria alguma possibilidade de o fazer contactando directamente a marca, neste caso a ASUS, pelo que através de contacto telefónico fiquei a saber que assim seria, desde que não activasse o Windows, evitando o arranque pelo sistema operativo previamente instalado.
No dia 8 de Setembro dirigi-me a um espaço comercial da zona da grande Lisboa e adquiri um ASUS 1005PX, após ter feito uma pesquisa e recebido algumas pistas de amigos, porque considerei ser uma máquina "decente"(*) no que toca à relação preço/qualidade.
Apercebi-me de imediato da falta de informação dos trabalhadores dessa loja sobre a forma da compra que estava a fazer (substituir o sistema operativo previamente instalado) mas também fiquei satisfeito por ter sido encorajado a fazê-lo por um deles, optando pelo Ubuntu 10.04 LTS, não tendo sequer visto o arranque "à la" W7!
A instalação através de uma pen foi "piece of cake"...

De imediato, voltei a ligar para a ASUS, com o objectivo de saber o que teria de fazer a seguir para receber o crédito da licença do Windows. Informaram-me que teria de enviar cópia da factura de compra o que fiz de imediato anexando-a a uma mensagem no dia 10 de Setembro. Para terem uma ideia da complexidade do tratamento deste assunto pela ASUS, confiram as datas e o "timing" necessário para a resolução do problema.
Só no dia 17 de Setembro recebo uma mensagem da ASUS a solicitar que eu preenchesse um formulário designado "Microsoft Operating System License Return & Refund Application" formatado em Word (.doc) que desde logo me colocou uma série de dúvidas sobre a forma como havia de introduzir a informação exigida ( pouca clareza do texto em inglês, campos a preencher por quem, etc)...
No entanto e para não perder mais tempo resolvi enviar o tal formulário no mesmo dia preenchido por dedução.
Volvidos 4 dias (21 de Setembro) recebo uma resposta espectacular por E-Mail: Afinal, "para o processo de devolução decorrer de forma correcta deveria enviar os documentos anexos devidamente preenchidos (em maiúsculas) para uma morada na Holanda"!
Os tais documentos, "MS OS License ReturnForm" (o primeiro igual ao anteriormente recebido) e outro de informações bancárias voltaram a colocar-me problemas que ultrapassei, nomeadamente com o seu preenchimento em ODF com a consequente desformatação ao salvá-los no formato original (.doc).

digitalização do documento MS Refund

Resta acrescentar que este processo teria de estar concluído passados 14 dias após a compra...
Como devem calcular fiquei furioso porque com estas voltas todas, no dia seguinte, findava este prazo. De imediato respondi muito "simpaticamente"'da seguinte forma:
Ex.mos Senhores.
É lamentável que este processo se arraste há tantos dias (não por minha culpa) e que agora me estejam a dar um dia para enviar o que me pedem para a Holanda!
Ou será que estou a ver mal o assunto?...
Não quero acreditar que haja aqui má fé e vou tratar do assunto como me estão a exigir, no entanto informo desde já que se me declinarem o crédito vou recorrer judicialmente.
Nota: Já me tinham avisado que em casos anteriores foi dado o dito por não dito...
Suponho que os rapazes da Microsoft estão a pressionar-vos para que isto não dê em nada.
É claro que isto são suposições minhas mas, baseadas na verdade que se conhece em que a Microsoft se assume como campeã do lobby político e económico.
Estou a registar todo o historial deste caso que talvez deva ser conhecido pelo público em geral. Até lá vou crer que vamos resolver o assunto a contento.
Paguei 5,40 euros e lá foram os papelinhos para a Holanda...


No dia 4 de Outubro recebo uma mensagem electrónica a informar-me sobre a minha solicitação de RMA ASUS aceite para a minha reclamação. Vamos descodificar: Vim a saber que este procedimento é uma rotina necessária internamente pela ASUS que veio a resultar mais tarde, em 2 tentativas da Chronopost vir à minha porta para levantar o computador. É claro que recusei sempre. No mesmo dia recebo outra mensagem em que me voltam a pedir toda a papelada já conhecida, desta vez solicitando-me que a preenchesse em computador (tinha ido sempre) e assinado à mão.
Esta mensagem foi recebida às 14:43 e respondida às 18:52. Enviei os originais em MS Word (desformatados) e em PDF feito no Writer que ficou impecável.
Passados alguns dias e sem qualquer informação verifiquei que estava registado um crédito de 20 euros na minha conta bancária. Finalmente tinha recebido esse valor como "prémio" de ter prescindido do MS Windows 7 "capado" já que ao formatar o disco no utilitário do Ubuntu verifiquei a existência de 2 partições: Vista bootloader e W7 bootloader...

Conclusão
É possível comprar uma máquina sem Windows a troco de alguma paciência para enfrentar o sistema montado.
Bati-me pela recuperação do dinheiro (pouco) que estava a pagar não pelo valor mas pelo princípio.
Foi penoso assistir à forma como estes assuntos são tratados num tempo em que a EXCELÊNCIA e a GESTÃO CENTRADA NO CLIENTE não passam de paragonas. Ao longo das mensagens e respostas observei os vários comentários dos serviços que são pouco abonatórios para a ASUS.
Mais tarde vim a saber que não posso fazer a expansão de memória de 1 para 2Gb porque perco a garantia... Só daqui a 2 anos!!!
O sistema de áudio não me permite ligar auriculares ou colunas exteriores porque o simpático manual diz que esse dispositivo de input/output é gerido por sofware (MS).
Conclusão: Gosto muito do hardware ASUS ( tenho 1 monitor VW222S, 1 laptop A6JC e agora o 1005PX) mas temo que não venha a comprar mais nada a esta marca depois de viver estas violências.

AVISO IMPORTANTE: Cuidado se decidirem entrar nesta aventura, não se esqueçam de guardar religiosamente o rótulo da licença da MS colada na parte de baixo da máquina. Basta que a rasguem na descolagem para perder o direito ao valiosos MS Refund! Só truques!...

Espero que esta informação venha a influenciar o "mercado" de forma a que no futuro próximo não sejamos obrigados a comer aquilo que não queremos.


(*) "Máquina decente" - crédito para o meu amigo João Neves que usou esta curiosa expressão quando lhe pedi uma opinião. O meu obrigado a ele por me ter lembrado de não deixar de escrever estas linhas.

6 comentários:

(``-_-´´) -- BUGabundo disse...

ainda bem q tiveste um fim feliz, e a persistencia para la

VDIAS disse...

Vamos lá ver se percebi bem... A licença do W7 só vale 20€!?!?!?!?

Anónimo disse...

Sinceramente nao percebo para q o trabalho, ainda por cima se é so para receber €20, LOL para o autor desta proeza...
Não seria mais facil ter o portatil em dual boot, com o default OS para o Linux?!?!

Anónimo disse...

Não é uma questão de trabalho mas uma questão de princípio como o próprio autor deste texto descreveu. Depois, se todos que não querem um sistema operativo fizessem o mesmo então, se calhar, as marcas começavam a dar mais importância à questão. Ficou claro que podem pedir o re-embolso mas que ainda é um pouco penoso, mas isso é culpa das marcas que não facilitam.

JSP disse...

Agradeço a todos os comentários a que passo a responder:
1) BUGabundo, podes crer... Estava a ver que o caso ia parar à DECO. No final evitou-se mais esse trabalho;
2)VDIAS: Eu só recebi 20 euricos pelo W7 que me pareceu ser uma actalização do Vista (mais baratinho...). Sei que, por exemplo, no Canadá o OEM intermédio custa cerca de 100 dólares Canadianos.
3)Anónimo (1)- Ordem de chegada: Sei que poderia ter o dual boot com o W7. Se fosse há 2 ou 3 anos atrás teria feito isso. Hoje, com o Ubuntu da forma estável e fiável como está, não sinto mais necessidade do Windows. Esta máquina serve para reuniões e trabalhos com a comunidade Ubuntu-pt por isso responde bem a essas pequenas tarefas.
4) Anónimo (2): Obrigado pelas tuas palavras. É isso mesmo. Se a malta batesse o pé e exigisse NÃO PAGAR O QUE NÂO QUER CONSUMIR, as coisas seriam diferentes. Sei também que casos como o meu serão poucos mas alguma coisa terá que ser feita para desgastar estes poderes ocultos que dominam a nossa sociedade.
Tenho esperança que o Ubuntu se imponha e que, tal como os Mac venhamos a ter máquinas cujo hardware "fale" a mesma língua do software Livre. Aí o Steve Jobs que se cuide!

dll disse...

Muito obrigado por esta descrição da sua saga. Fico contente por lhe ter sido feito o reembolso. Isto mostra que tal é possível e dá-me mais alento para o recomendar a todos os meus conhecidos.

Pena que não haja mais consumidores informados para esta possibilidade.