3 de agosto de 2023

Jornalismo com pouca investigação?

Fui surpreendido por uma notícia do "Público" nestes dias de grande movimento editorial, televisional, papal, etc...


 



 
Talvez por falta de tempo os senhores e senhora jornalistas não se deram ao trabalho de investigar o teor do "insulto" feito na altura pelo deputado da UDP Américo Duarte.
Aqui fica o extrato da intervenção que não foi um insulto mas sim uma acusação política baseada em provas:

 "O Sr. Américo Duarte (UDP): - Peço a palavra.

O Sr. Presidente: - Faça favor.

O Sr. Américo Duarte: - Sr. Presidente ...

O Sr. Presidente: - Desculpe interromper. É só para dizer que neste momento agradecia que se cingisse ao problema da composição e actuação da Comissão de Verificação de Poderes.

O Sr. Américo Duarte: - É exactamente sobre esse ponto da ordem de trabalhos que eu me vou pronunciar.

O Sr. Presidente: - Muito bem!

O Sr. Américo Duarte: - Sr. Presidente, Srs. Deputados.

Pensamos ser breves na apresentação das propostas que queremos pôr á discussão desta Assembleia Constituinte, dentro deste ponto da ordem de trabalhos que diz respeito à composição e actuação da Comissão de Verificação de Poderes.

A missão desta Constituinte é elaborar uma Constituição que deite pela porta fora a que vigorava no tempo do terror fascista. Temos, portanto, por dever para com todo o povo português, de elaborar uma Constituição democrática que garanta toda a liberdade para o povo se organizar e lutar, e que retire todas as liberdades aos fascistas. Temos de acabar com a anterior Constituição fascista.

A nossa primeira questão diz respeito à constituição da Comissão de Verificação de Poderes. A UDP considera este assunto da máxima importância. Pensamos que o trabalho dessa Comissão não se pode restringir a ver se o Sr. Deputado tal ou tal é ele próprio ou não, se o cartão de identidade está em ordem ou não. Essa Comissão, seguindo o princípio de que a nossa tarefa deve ser enterrar a Constituição fascista e construir uma antifascista, deverá verificar se entre os Deputados aqui presentes existem elementos responsáveis na elaboração da legislação fascista das anteriores Assembleias Nacionais do anterior regime ou responsáveis por actividades fascistas.

É neste sentido que uma das propostas que pomos à vossa consideração define que a actuação da Comissão de Verificação de Poderes deverá ser a verificação da responsabilidade que todos os Deputados que ontem se sentaram na antiga Assembleia fascista e hoje estão aqui sentados tiveram na feitura de leis fascistas.

Outra proposta define que não possam ser eleitos para essa Comissão todos os Deputados que tenham pertencido a qualquer das Assembleia Nacionais fascistas.

E por que é que fazemos esta proposta?

O povo português tem os olhos postos nestas Assembleia. Espera que dê amplas liberdades ao povo, de forma que este possa arrancar, som qualquer empecilho, no esmagamento total da fera fascista, que impeça os fascistas de se organizarem em partidos, que imponha as penas mais severas para todos os que participaram na repressão fascista e que colaborem em golpes fascistas.

Por outro lado, a UDP tem afirmado claramente que estão aqui nesta Assembleia partidos fascistas, ou que se acoitam fascistas no seu seio, contra os quais já várias vezes o ,povo se manifestou.

Foi a partir deste facto que tentámos investigar a actividade política de alguns Deputados desta Assembleia, principalmente, daqueles para quem esta Casa não é nova, pois já aqui estiveram sentados no tempo do fascismo.

Se o Sr. Presidente e esta Assembleia me dão licença, passo a ler alguns parágrafos de uma comunicação do fascista Marcelo Caetano à Assembleia fascista, transcrita no n.º 138 do Diário das Sessões, p. 2790, de 16 de Novembro de 1971:

É um facto notório, mais uma vez reconhecido pela Assembleia Nacional, que, desde 1961, em alguns distritos de Angola e posteriormente em Moçambique e na Guiné se têm produzido actos de subversão.

Tal situação obrigou a reforçar nesses territórios as forças de segurança e a enquadrá-las por unidades dos três ramos das forças armadas, que, de há dez anos para cá, em consequência de severa mobilização de esforços nacionais, vigiam e combatem para assegurar às populações o sossego por elas desejado no seio da Pátria Portuguesa.

Os actos de subversão ocorrem unicamente junto de fronteiras com territórios estrangeiros, donde são inspirados e alimentados. Em quase toda a extensão dos territórios das nossas províncias reina a paz, e a vida processa-se em inteira normalidade, e até com um surto impressionante e espectacular de progresso económico e de bem-estar social.


E mais adiante:

... o facto de a subversão ser estimulada por países estrangeiros e apoiada fortemente por certas organizações internacionais e por partidos ex-tremistas obriga a vigilância constante em todo o território nacional, sem excluir a metrópole, onde têm sido praticados ou tentados actos de terrorismo tendentes a enfraquecer a vontade de resistência ou a diminuir o potencial de defesa. Nestas condições, o Governo carece de continuar habilitado a, dentro da legalidade, adaptar as providências necessárias para reprimir a subversão e prevenir a sua extensão.

Embora o reconhecimento dos pressupostos dessa habilitação possa considerar-se mais de uma vez feito pela Assembleia Nacional, julga o Governo conveniente que, com a entrada em vigor da Lei n.º 3/71, de 16 de Agosto, a Assembleia formalmente, nos termos e para os efeitos do § 6.º do artigo 109.º da Constituição da República Portuguesa, se pronuncie sobre a existência e a gravidade da sublevação que afecta algumas partes do território nacional, gravidade que se acentuará, sobretudo, se não puder ser atalhada e reprimida como convém aos interesses dos povos que as habitam - que o mesmo é dizer - da Nação Portuguesa. Esta comunicação não nos admira, dirão os Srs. Deputados, todos nós sabemos que Marcelo Caetano era um fascista. E é verdade. Mas se lemos alguns passos da comunicação é porque na sessão seguinte foi feita uma proposta, depois aprovada, que dizia:

A Assembleia Nacional, nos termos e para os efeitos do disposto no § 6.º do artigo 109.º da Constituição Política, reconhece que persiste a ocorrência de actos subversivos graves em algumas partes do território nacional.

E o que talvez venha a admirar alguns é que essa proposta foi apresentada à mesa por um grupo de Deputados fascistas entre os quais se encontra o nome de João Bosco Soares Mota Amaral, conforme consta na p. 2801 do Diário das Sessões, de 19 de Novembro de 1971.
E este senhor está aqui nesta Assembleia como Deputado do Partido Popular Democrático. Como será possível o Sr. Mota Amaral vir agora nesta Assembleia participar na elaboração de uma Constituição antifascista, quando em 1971 afirmava que existiam actos subversivos em algumas partes do território nacional?
Esses actos subversivos a que o Sr. Mota Amaral se referia o que eram?
Era a justa luta dos povos ,irmãos das colónias contra o domínio imperialista e colonialista português pela sua independência nacional.
Era a justa luta que os povos de Moçambique, Angola, Guiné e Cabo Verde travavam de armas na mão, pela sua liberdade, para poderem tornar-se senhores dos destinos, sacrificando os seus melhores filhos numa guerra que lhes era movida para continuar a sua exploração e a rapina das suas riquezas naturais. Era a justa luta do povo português contra a tirania fascista, a exploração desenfreada, a miséria do povo, contra a criminosa guerra colonial.
A UDP apresenta aqui esta questão, porque não transige nem colabora com fascistas. O caso que aqui apresentamos nem sequer é o de um simples colaboracionista. Não. É o de um verbo de encher que se sentou na Assembleia para aquecer as suas cadeiras e, na Assembleia fascista, uma vez ou outra levantou o braço para votar traindo todo o povo. Não, o Sr. Mota Amaral foi mais do que isso. Foi um dos principais responsáveis por a Assembleia fascista ter dado plenos poderes ao Governo de Marcelo para atalhar e reprimir, como diz a comunicação, o povo português e os povos das colónias. E que é que significou dar plenos poderes ao Governo fascista para atalhar e reprimir?
Significou o Governo fascista poder legalmente prender, torturar, assassinar nas masmorras da sangrenta Pide os melhores combatentes do nosso povo que se encontravam na frente das lutas pela liberdade, pelo pão, pela paz.
Significou o Governo fascista poder enviar legalmente as suas bestas de choque, os PSPs, e GNRs contra as manifestações populares, as greves operárias e as lutas dos camponeses. Significou o Governo fascista poder legalmente incrementar a guerra colonial de assassínio dos povos irmãos das colónias, nossos grandes aliados e que mais directamente contribuíram para o derrube da ditadura fascista.
Srs. Deputados: Os antifascistas, os revolucionários, os povos das colónias não se esqueceram de quem é o Sr. Mota Amaral. Todos sentimos bem na carne o que foi o aumento da repressão fascista a partir de fins de 1971, com a força redobrada que o Governo de Marcelo tinha depois da resolução que o Sr. Mota Amaral propôs. E a voz dos mortos na guerra colonial assassina e de todos os que foram reprimidos e martirizados pelo Governo fascista, apoiado nessa proposta, não se apaga com uma simples passagem de esponja. Não chegou o Sr. Mota Amaral dizer-se agora «democrata. Depois do 25 de Abril já vimos muitos camaleões mudarem de cor conforme as conveniências e ainda não nos esquecemos do 28 de Setembro e do 11 de Março. Este senhor foi um destacado elemento fascista, que propôs o aumento da repressão sobre os povos coloniais e povo português. Este senhor foi um elemento de vanguarda do fascismo. Este senhor foi o porta-voz na Assembleia fascista de Marcelo Caetano. A UDP pergunta: que leis vamos nós aqui fazer contra o fascismo? Que legislação vamos propor para os tribunais que irão julgar os fascistas, os pides, os legionários, quando aqui nesta Assembleia está pelo menos um destacado fascista que passou um cheque em branco ao Governo de Marcelo para dar as ordens aos pides, aos bufos, aos legionários, etc.? Então vamos julgar e condenar os executores da repressão fascista e pôr as que antes lhes davam ordens a fazer a Constituição antifascista?
Srs. Deputados, foram estes factos de extrema gravidade que nos levaram a fazer as propostas que agora apresentamos. As quais, e por dever para com o povo português, juntamos a de que esta Assembleia não reconheça o Sr. João Borco Soares Mota Amaral como Deputado. Certamente que depois do que aqui afirmámos muitas vozes se levantarão nesta sala a dizer que esse senhor foi eleito pelo povo. Mas a UDP pergunta: o povo português sabia destes factos chie acabamos de relatar?
O povo português sabia que esse senhor tinha sido o proponente de que fossem dados plenos poderes ao Governo de Marcelo para reprimir o povo?

O povo português não votou em normas. Votou naquilo que os partidos diziam.
O Partido Popular Democrático informou o povo português que um dos seus candidatos tinha sido um destacado e importante elemento fascista?
Os órgãos de informação transcreveram estes factos que aqui apontamos, e que esperamos que amanhã transcrevam, para que o povo estivesse esclarecido?
O povo português nunca se interessou pelo que se passava na Assembleia fascista. E sabia que essa Assembleia era fascista.
Srs. Deputados: Pelos dados e tempo de que dispomos só pudemos investigar sobre este caso. Haverá com certeza outros casos sobre os quais pedimos que seja a Comissão de Verificação a estudar e a apresentar a esta Assembleia, para depois nos pronunciarmos. Por exemplo, apresentamos as posições de repúdio que em várias manifestações o povo tem tomado contra o Sr. Deputado Galvão de Melo. E apontamos as variadíssimas posições que esse senhor tem tomado publicamente como dizendo que a Ditadura Portuguesa era muito branda a ponto de não suscitar a oposição popular, com excepção dos comunistas e de alguns socialistas»; e sobre as torturas da Pide? «... condeno-as; mas limitaram-se apenas a poucas elementos obstinados» (ver Diário de Notícias de 27 de Abril de 1975).
E ainda não nos esquecemos que esse senhor apoiou a manifestação fascista de 28 de Setembro através de um comunicado proveniente do seu gabinete e transcrito em A Capital, de 27 de Setembro de 1974, que o recebeu por intermédio do Ministério da Comunicação Social.
Nem sequer nos encontramos esclarecidos sobre a forma como esse senhor apareceu embrulhado no golpe de 11 de Março.
Srs. Deputados: Espero ter sido perfeitamente claro naquilo que expus.
Tenho dito.

Aplausos."

Extracto da sessão N. 1 de 3 de junho de 1975

2 de junho de 2023

O legado documentado de Henry Kissinger

Fez recentemente 100 anos de vida um dos maiores criminosos de guerra e de crimes contra a humanidade: O tristemente famoso HAK - Henry Alfred Kissinger.

Resolvi fazer a tradução para português dum artigo americano, não cumprindo as regras do novo acordo ortográfico, como uma ajuda na divulgação desta tenebrosa figura galardoada com um prémio nobel e nunca julgado e punido pelos crimes que cometeu.
Fica o documento que pode ser transferido em formato PDF aqui.


 


12 de fevereiro de 2022

Uma provocação no dia das Legislativas de 2022

 

Ainda no rescaldo das “legislativas absolutistas”...

Nunca tinha assistido a umas eleições, neste caso para a Assembleia da República, tão fortemente manipuladas pelos “órgãos de comunicação social”, como as que tiveram lugar no passado dia 30 de Janeiro do corrente ano.

A propósito disto tomei conhecimento duma pequenina nota do “Correio da Manhã”, que nem sequer classifico como notícia, a propósito do “primeiro deputado maoísta na Europa ocidental”.

Referia-se o “cronista”, do pasquim em questão, ao primeiro Deputado Constituinte pela União Democrática Popular, Américo Duarte que nunca foi motorista e muito menos maoista (escrito à portuguesa e não como no pasquim que foi escrito à brasileira). Se o autor da nota tivesse investigado um pouco saberia que Américo Duarte, operário, mecânico da LISNAVE se destacou como membro da Comissão de Trabalhadores na caça aos PIDES e bufos logo a seguir ao 25 de Abril e pela luta na defesa dos direitos dos trabalhadores do estaleiro, tendo pertencido à Primeira Comissão Nacional da UDP, sendo mais tarde Deputado Constituinte. Sobre a curta descrição política, organizações e partidos da época, países, luta ideológica, etc, que abordou pela rama nem vale a pena tecer qualquer comentário. Seria muito penoso explicar toda essa problemática a um “analfabeto político”.

A nota de tão rasca que é mereceria menos atenção mas entendi que não podia deixar passar em claro tanta parvoíce e incompetência.

É habitual, de vez em quando, os OCS burgueses e capitalistas virem com provocações para cima daqueles que se bateram para mudar o destino desta terra e tirar a canga dos exploradores de cima dos trabalhadores.

Também consigo ler nestas manifestações a luta dos vários “agentes propagandísticos” pelas audiências, “shares” e outras aldrabices do abençoado mercado, para compreender a falta de profissionalismo jornalístico e a ausência de ética para vir a público com informações falsas e distorcidas. O poder que estes meios hoje possuem, ficou bem demonstrado nestas eleições: Uns dias antes de 30 de Janeiro o PS perdia as eleições e afinal no dia 31 ganhou com maioria absoluta!

Neste contexto, as muitas crónicas, comentários, sondagens e “debates” com análises manipuladoras a seguir aos “frente-a-frente” fomentaram o medo e a insegurança numa sociedade doente e pouco esclarecida. E cá estamos numa “democracia” que tem como 3.ª força política (forjada) um partido FASCISTA com bombistas e racistas no seu seio. Apetece-me apenas reproduzir um oportuno comentário lido algures questionando os juízes do Tribunal Constitucional: Irão lá só para receber o ordenado?…
Aqui fica a memória sobre uma provocação e o seu enquadramento na situação política actual que dispensa “pedidos” de reposição da verdade a um jornal que nem isso merece.

Américo Duarte vive hoje afectado pela doença de Parkinson, há cerca de 8 anos que lhe resiste, subsiste com uma pequena reforma que mal dá para fazer face à vida e adquirir os medicamentos que o ajudam a atenuar os efeitos da doença, embora tenha trabalhado toda a vida, desde os 12 anos de idade, fazendo os seus descontos para mais tarde ter uma reforma (excepto nos casos em que os patrões lhe ficaram com os descontos indevidamente), nunca tendo auferido de qualquer ordenado ou subsídio enquanto foi deputado na Assembleia Constituinte ou conte com qualquer apoio oficial, embora recentemente tenha sido reconhecido, tal como todos os outros deputados constituintes, com o “título” de Deputado Honorário. Como muitos milhares de portugueses é vítima de uma sociedade cada vez mais desigual e oposta aos valores da Revolução de Abril por que tanto se bateu.

A nota provocatória do Correio da Manhã
a nota provocatória do CM

 



29 de dezembro de 2021

Reflexões no final do ano de 2021

 

Aproxima-se o final de mais um ano e, como muitas vezes no passado, passam pela minha memória, quase como em turbilhão, as imagens de 2021 que, estranhamente e à medida que os anos passam, tudo parece pior e com muito poucas esperanças das coisas mudarem.

Assalta-me a dúvida de que estarei mesmo a envelhecer e que por isso tudo parece tenebroso e a caminhar para um beco sem saída… Será?

Vamos voltar o “filme” do ano para trás e percorrer algumas das situações vividas tentando tirar conclusões.

A pandemia

Os avanços e recuos dos técnicos, cientistas e políticos até poderão parecer “normais” porque nestas coisas da ciência o que hoje é verdade amanhã pode não ser. Mas será aí que reside o problema insolúvel ? Perece-me que não, vejamos:

A pandemia afecta a humanidade globalmente e é gerida como se de um negócio se tratasse. Nos noticiários, de uma maneira geral, o que salta em primeira caixa é “o impacto da pandemia na economia” para depois desfilarem os números de infectados, internados, em UCI e mortes.

Desta forma estamos esclarecidos: O balcão à frente da barriga sobrepõem-se à atitude do médico perante o doente acamado para darmos lugar aos “comentadores” economicistas que se destacam em verborreia falsa e distorcida da realidade.
É muito comum o comentário “as pessoas é que têm a culpa” (e muitas vezes têm)
só que esta falácia esconde o essencial: O brutal e desumano negócio que se está a fazer a nível mundial com a “gestão” privada desta calamidade.

Muito recentemente vemos incrédulos a forma política adoptada aqui em Portugal por um governo em fim de vida, incapaz de pôr o dedo na ferida, por exemplo com a vergonha do negócio criminoso dos testes impostos recentemente, provocando a escassez e lançando as aves de rapina do “abençoado mercado” numa especulação desenfreada. Aliás não é só neste caso que encontramos explicações para o disparo de variantes, novos surtos e situações incontroláveis do fenómeno.

Basta de caracterizações. Arrisco fazer uma proposta para COMBATER a pandemia:

CONFISCO! Sim confisco do negócio dos laboratórios privados, quebra de patentes das vacinas e desde já desenvolver uma investigação a todos os agentes envolvidos, incluindo os políticos a nível nacional, na Europa e no mundo para apurar responsabilidades criminais na forma como tiram partido da pandemia para engordar os accionistas das corporações, muitas sem rosto, que continuam a lucrar com um problema que afecta a humanidade e que por isso não pode ser resolvido por entidades privadas que não estão fiscalizadas pela comunidade. Sejamos claros: O problema é humanitário e mundial por isso os meios para combater o vírus têm que ser suportados a PREÇO DE CUSTO sem qualquer reserva para mais valias.

Outra questão que se coloca é a necessidade do problema ser resolvido a nível global por isso não pode haver continentes e países ricos e pobres, todos têm que ter acesso às vacinas e medicamentos de uma forma IGUAL que cubram as necessidades das populações.
Não confio nas entidades mundiais tipo OMS, ONU (que já não existe há muito nem representa seja o que for) muito menos essas figuras pardas tipo Durão Barroso e Bill Gates, para não falar em muitos mais que andam por aí a defender lobbys (eu chamaria quadrilhas) e que estão organizados nas várias “instituições” do mercado capitalista mundial.

Mas não só de pandemia padecemos

A nível internacional assistimos àquilo que os “especialistas” designam por uma escalada na tensão políco-militar na fronteira da Ucrânia com a Federação Russa, envolvendo o “governo” da Europa, Estados Unidos e possivelmente o Reino Unido por um lado e a Rússia, China e Irão por outro, segundo tenho apurado nas notícias disponíveis que têm de ser lidas com algum cuidado para não se ser confundido com as várias propagandas.
Já ouvi repetidamente vários “entendidos” neste problema que a situação pode degenerar num 3.º conflito mundial, havendo ainda outros que consideram que as “provocações” russas ao redor das trincheiras ucranianas, possivelmente pagas em dólares e euros, não são para levar a sério…

Acredito que o capitalismo começa a ter dificuldades para prosseguir a sua cavalgada e manter os lucros do “grupo dono do mundo”, arranjando estratagemas e dividindo para reinar o mundo proletário que hoje já conta com o reforço da chamada classe média empobrecida. Será isto suficiente para fazer desmoronar o império tirano?…

Uma coisa é certa: A situação actual é insustentável e inviável. Ecológica, económica, social e politicamente.

Numa abordagem mais negra sou levado a pensar que os cidadãos deste mundo terão a necessidade de se organizar e usar todos os meios* para se defenderem dos vários exércitos de mercenários (pagos) que funcionam como guardas pretorianas dos vários governos instituídos mundialmente e que, quase todos já não representam as respectivas sociedades. O medo governa e a chantagem económica faz o resto deixando centenas de milhões na miséria e outros milhões a caminho dela.

Quanto ao que nos diz respeito em Portugal

Para uma clarificação necessária começo por me identificar politicamente: Penso à esquerda, exerço a cidadania, dentro das minhas possibilidades, ao nível social, considero-me um antifascista e anti-capitalista convicto, agnóstico porque não conheço provas de que o tal Deus exista ou não, mas no fundo aproximo-me do ateísmo. As religiões ao longo dos séculos só trouxeram miséria, ignorância e atraso.
Não tenho qualquer vinculo ou filiação partidária porque nem sempre concordo com as propostas e na prática dos partidos de esquerda actuais, considerando a esquerda tudo o que se situa para lá do PS que caracterizo como um partido do centro contando com algumas almas de esquerda que ainda acreditam no chamado “socialismo democrático” que nunca existiu. Porque o socialismo sem democracia é a negação do pensamento marxista, partindo do princípio de que num regime socialista, só não existe democracia para os tiranos, fascistas e exploradores dos trabalhadores, para esses não pode haver espaço que lhes permita “renascimentos”!

Indo directamente para a fase final do último governo do PS suportado por um apoio parlamentar do PCP, BE e Verdes fiquei logo de pé atrás desde que houve uma recusa dos “socialistas” num acordo vinculado desde o início do mandato e que, na minha opinião, deveria ter posto logo em alerta os partidos que suportavam esse governo.

Não ignorando que os meios de que dispõem os partidos da direita e do centro são incomparavelmente maiores do que os da esquerda, basta atentar, por exemplo, apenas para a “comunicação social” mercantilista da nossa praça e verificar a quantidade de “comentadores” liberais, direitistas e até fascistas que desfilam perante os nossos olhos não havendo oportunidade para quem defende o contrário. Poucos são aqueles que tentam furar o “discurso oficial” da “democracia com selfies e ginjinhas”.
Apesar de tudo isto não posso deixar de criticar o comportamento do PCP e do BE ao caírem na trama de um PS desejoso de ir para eleições à procura duma maioria absoluta.
Para mim torna-se claro que foi essa a intenção do partido do governo desde o início do 2.º mandato, porque eram essas as ordens vindas de Bruxelas que tinha aproveitado a oportunidade de travar a esquerda agrilhoando-a ao governo no primeiro mandato para evitar a conflitualidade que poderia existir após “as políticas além da troika” pela direita, deixando descomprimir um bocadinho a pressão dos baixos salários e dos cortes nos direitos sociais. O referido programa prosseguiu com algumas alterações ligeiras comandadas pelo banco central europeu (compra das dívidas soberanas) sob a égide do FMI e do eixo franco-alemão.

Sobre este aspecto o chumbo do orçamento socialista numa altura em que a extrema-direita levanta a cabeça e a “mãe das direitas” perfilada no PSD se reforça após lutas internas das várias facções, surge de uma forma incompreensível e até inconsequente. Como dizia Che Guevara “A verdadeira capacidade de um revolucionário mede-se pela sua habilidade de encontrar tácticas revolucionárias adequadas para cada mudança de situação.”

O passo que foi dado só poderia ter acontecido se as condições objectivas e subjectivas estivessem criadas para se poder derrubar o regime vigente, e isso não se vislumbrava.
Portanto haveria necessidade de se continuar a combater e denunciar as falsas promessas do PS, criando condições articuladas pelas esquerdas para inviabilizar a dissolução da Assembleia da República pelo Presidente das direitas e mobilizando os trabalhadores para o combate, ganhando tempo
e força para poder impor uma saída diferente e a mudança do regime. O futuro nos esclarecerá o que realmente se passou e se encarregará de atribuir responsabilidades para os diversos actores desta tragédia.
Deixo uma pergunta: Quem vai capitalizar o descontentamento crescente num ambiente de medo, trapaça, manipulação da comunicação e de profunda ignorância?

Por último, em relação à nossa situação doméstica, não posso deixar de referir o papel atribuído a um novo actor que nasceu na pandemia, refiro-me ao senhor Vice-Almirante coordenador das vacinas que de um anónimo oficial passou meteoricamente a candidato a Presidente da República, promovido pelo bloco central PS-PSD que o disputa para uso próprio.

Confesso que inicialmente me causou boa impressão e até acreditei que seria uma pessoa difícil de manipular pelo poder político. Nos últimos dias e com as declarações que proferiu fiquei mais esclarecido e mudei de opinião. Afinal é mais um que se aproxima do “altar” do poder. Não gosta de perder e pôs-se a jeito para servir manobras políticas de bastidor (veja-se o caso ainda recente muito pouco esclarecido da substituição do chefe do estado-maior da armada).

Sobre as próximas eleições legislativas de dia 30 de Janeiro de 2022

Com a previsível reorganização da direita e extrema-direita-fascista-”liberal”, um possível enfraquecimento dos “socialistas” e ainda perante as esquerdas que continuam a não se entender tacticamente, as perspectivas para o campo popular não são nada animadoras.

A grande dificuldade é e sempre foi a postura contra-revolucionária do PS que ao utilizar a fraseologia de esquerda com uma prática de direita capitalista impede de definir os campos que se opõem: Quem explora e quem é explorado.
Não quero entrar muito nas definições ideológicas porque não é isso que é importante para as necessidades do cidadão comum mas é impossível abordar este tema sem que se defina muito claramente que não pode haver “consensos” entre uma casta bem instalada e uma maioria da população que passa dificuldades e que vem empobrecendo de uma forma crescente.

Posto isto, pessoalmente, vou votar BE como tenho feito desde há muito não significando isso que acredite que possa alterar seja o que for para além de nem sempre concordar com muitas das prioridades e prática do BE.
Considero que a nossa sociedade está corrompida transversalmente e que isso levou ao crescimento dos grupos fascistas que estão a tentar capitalizar o descontentamento geral, restos de um pequeno grupo descendente do antigo regime misturado com muita gente ignorante.

Poderão alguns perguntar quem sou eu e o que tenho feito. A esses eu respondo: Vivi intensamente o PREC, acreditei num projecto para mudar Portugal e acabar com “os donos disto tudo”, vivi e participei nessa luta observando os erros que se cometeram e as traições que hoje estão à vista, mergulhei na noite tenebrosa do 25 de Novembro de 1975 e tive que retomar uma vida de trabalho para sustentar a família, para hoje estar reformado e continuar a lutar como posso. Numa coisa não me conseguem vergar, abdicar das ideias que tenho de justiça, liberdade (para todos, excepto fascistas, capitalistas e exploradores), igualdade de oportunidades, saúde, educação e cultura públicas, habitação e trabalho digno. Claro que como estava previsto inicialmente na Constituição da República acredito ser possível a construção duma sociedade a caminho do socialismo.

Para finalizar deixo um boneco que já foi classificado de simplista mas que para mim espelha o essencial. É bom que muitos pensem bem no seu significado no próximo dia 30 de Janeiro de 2022. Veremos!

(*) Constituição da República Portuguesa – Art.º 21 (Direito de Resistência):“Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.”Lei Constitucional nº 1/2004 de 24-07-2004PARTE I - Direitos e deveres fundamentais TÍTULO I - Princípios gerais

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