Em jeito de introdução: Senti necessidade de
escrever “o que me vai na alma” na situação revoltante em que
vivemos, depois de há menos de 50 anos atrás termos vivido tão
intensamente um projecto genuíno de renovação e
alteração profunda da sociedade portuguesa.
Passados 47 anos sobre o 25 de
Abril continuamos a sofrer os efeitos da “revolução tranquila”
que permitiu a
pides e fascistas, alojados nos mais
variados poleiros, subsistirem
e se continuem a organizar
na sociedade portuguesa.
Há muito que denunciamos a
farsa que foi a investigação e julgamento dos crimes
de pides e outros responsáveis do regime
fascista que consideramos uma afronta a todos aqueles que sofreram na
pele a repressão, prisão e a tortura promovidos pelo estado
fascista, para além dos crimes praticados
ao povo português e aos povos
da ex-colónias.
Como consequência do
continuado branqueamento, vivemos hoje sob a ameaça de um
ressurgimento da besta fascista, em virtude da prática continuada de
uma política permissiva e corrupta por parte de uma “elite
republicana” ligada àquilo que se vulgarizou como “bloco
central” que tem corroído transversalmente, todas as camadas da
sociedade, criando uma clique movida por interesses corporativos.
Do poder central, aos
vários governos, à estrutura administrativa do estado, passando
pela justiça e polícias, nas autarquias e outras entidades ligadas
aos negócios privados, na saúde, educação, enfim, tudo aquilo que
determina a qualidade do serviço público
aos cidadãos, encontramos instalado um
“polvo” que tem corroído e abalado a estrutura duma sociedade
doente e desorientada.
Atribuímos toda a
responsabilidade deste branqueamento do fascismo a todos aqueles
que, exercendo cargos de responsabilidade política, não tiveram coragem ou não quiseram assumir uma
posição que impedisse o evoluir para tal situação.
Torna-se por isso
imprescindível que, mesmo ao fim de tantos anos decorridos, se
reabra este dossier e se leve a efeito um julgamento fundamentado
para punir os criminosos ainda vivos e revogar todo e qualquer
privilégio aos responsáveis já desaparecidos.
Muitas vezes somos levados a
imaginar o que seria um regime actual se não tivesse havido o 25 de
Abril de 1974. Marcelo Caetano tinha tentado lavar a cara ao regime
fascista com a sua teoria da “evolução na continuidade”, que se
tratava de uma maquilhagem ao “Estado Novo” e que na prática,
por exemplo, assegurava que a PIDE – Polícia Internacional e de
Defesa do Estado passa-se a designar-se Direcção Geral de Segurança
sem qualquer alteração aos seus métodos de repressão e tortura.
O 25 de Novembro de 1975
Nos escassos meses de liberdade vividos entre o
25 de Abril de 1974 e a tenebrosa noite de 25 de Novembro de 1975, os
portugueses que acreditaram que era possível mudar as coisas para
uma nova situação, que passava pelo projecto do PODER POPULAR,
realidade bem diferente da defendida pelos grupos representantes dos
vários interesses instalados. Foram ainda confrontados com os jogos
de poder das superpotências que dominavam o mundo e determinavam o
curso da História.
Esta machadada dada em nome da
“normalização democrática” foi executada graças à aliança
dos partidos do centro-direita, para onde resvalou o PS que, desde
sempre, tinha defendido um projecto que colocou no poder gente
interessada na aliança e conluio da política com a finança
dominadora.
É curiosos observar, passado
pouco tempo depois do golpe novembristas, a acção de grupos
terroristas, principalmente no norte do país (1976), que atacaram e
mataram militantes de partidos políticos anti-fascistas. Até hoje,
tal como os pides em 1974, não houve nem julgamento nem punições
desses criminosos.
“… Ramiro Moreira, operacional da rede
bombista de extrema-direita, fez-se passar por sindicalista para o
vigiar no início de 1976. «Mandaram-me ir ver o que o padre Max
andava a fazer por aquelas bandas», admitira. «era um homem que se
servia da política para outros fins, mas não era um homem perigoso,
não era nada perigoso», dirá o bombista. «Eventualmente, teria de
se lhe dar uma coça» ou «pintá-lo com zarcão e deixá-lo todo nu
no meio da praça principal de Vila Real», comentara-se em reuniões
do MDLP. Mas algo mais seria planeado”. “Deus abençoe as vossas
mãos – Cónego Melo, aos bombistas do MDLP (in “Quando
Portugal Ardeu” de Miguel Carvalho).
No dia 2 de Abril de
1976 o padre Max foi assassinado pela rede bombista sem que os
criminosos tivessem sido julgados e punidos até hoje.
É importante recuar às
origens do fascismo em Portugal e observar a sua “descendência”
actual para perceber, ao fim ao cabo, como tudo foi articulado em
termos de poder.
Recuando aos tempos da
Assembleia Constituinte de 1975 começamos a compreender como tudo
foi “organizado” para, fingindo que se "mudava tudo”,
garantir que ficava tudo na mesma no essencial.
Não foi por acaso que na
primeira intervenção, logo na sessão N. 1 da Constituinte, surgiu
a denúncia de que naquela Assembleia estavam sentados alguns
deputados que tinham transitado das fileiras da ANP fascista para
agora tomarem lugar em S. Bento, para elaborar uma Constituinte
antifascista. Foi pela voz do deputado da UDP, o operário Américo
Duarte, que tal foi denunciado.
Excerto que consta no Diário das Sessões da
Assembleia Constituinte da Sessão N.º 1 de 3 de Junho de 1975:
“O Sr. Américo Duarte: ——
Sr. Presidente, Srs. Deputados.
Pensamos
ser breves na apresentação das propostas que queremos pôr à
discussão desta Assembleia Constituinte, dentro deste ponto da ordem
de trabalhos que diz respeito à composição e actuação da
Comissão de Verificação de Poderes.
A missão desta
Constituinte é elaborar uma Constituição que deite pela porta fora
a que vigorava no tempo do terror fascista. Temos, portanto, por
dever para com todo o povo português, de elaborar uma Constituição
democrática que garanta toda a liberdade para o povo se organizar e
lutar, e que retire todas as liberdades aos fascistas. Temos de
acabar com a anterior Constituição fascista.
A nossa primeira
questão diz respeito à constituição da Comissão de Verificação
de Poderes. A UDP considera este assunto da máxima importância.
Pensamos que o trabalho dessa Comissão não se pode restringir a ver
se o Sr. Deputado tal ou tal é ele próprio ou não, se o cartão de
identidade está em ordem ou não. Essa Comissão, seguindo o
principio de que a nossa tarefa deve ser enterrar a Constituição
fascista e construir uma antifascista, deverá verificar se entre os
Deputados aqui presentes existem elementos responsáveis na
elaboração da legislação fascista das anteriores Assembleias
Nacionais do anterior regime ou responsáveis por actividades
fascistas.
É
neste sentido que uma das propostas que pomos à vossa consideração
define que a actuação da Comissão de Verificação de Poderes
deverá ser a verificação da responsabilidade que todos os
Deputados que ontem se sentaram na antiga Assembleia fascista e hoje
estão aqui sentados tiveram na feitura de leis fascistas.
Outra
proposta define que não possam ser eleitos para essa Comissão todos
os Deputados que tenham pertencido a qualquer das Assembleia
Nacionais fascistas.
E
por que é que fazemos esta proposta?
O
povo português tem os olhos postos nestas Assembleia. Espera que dê
amplas liberdades ao povo, de forma que este possa arrancar, sem
qualquer empecilho, no esmagamento total da fera fascista, que impeça
os fascistas de se organizarem em partidos, que imponha as penas mais
severas para todos os que participaram na repressão fascista e que
colaborem em golpes fascistas.
Por
outro lado, a UDP tem afirmado claramente que estão aqui nesta
Assembleia partidos fascistas, ou que se acoitam fascistas no seu
seio, contra os quais já várias vezes o povo se manifestou.
Foi
a partir deste facto que tentamos investigar a actividade política
de alguns Deputados desta Assembleia, principalmente daqueles para
quem esta Casa não é nova, pois já aqui estiveram sentados no
tempo do fascismo.
Se
o Sr. Presidente e esta Assembleia me dão licença, passo a ler
alguns parágrafos de uma comunicação do fascista Marcelo Caetano à
Assembleia fascista, transcrita no nº 138 do Diário das Sessões,
p. 2790, de 16 de Novembro de 1971:
É
um facto notório, mais uma vez reconhecido pela Assembleia Nacional,
que, desde 1961, em alguns distritos de Angola e posteriormente em
Moçambique e na Guiné se tem produzido actos de subversão.
Tal
situação obrigou a reforçar nesses territórios as forças de
segurança e a enquadra-las por unidades dos três ramos das forças
armadas, que, de há dez anos para cá, em consequência de severa
mobilização de esforços nacionais, vigiam e combatem para
assegurar às populações o sossego por elas desejado no seio da
Pátria Portuguesa.
Os
actos de subversão ocorrem unicamente junto de fronteiras com
territórios estrangeiros, donde são inspirados e alimentados. Em
quase toda a extensão dos territórios das nossas províncias reina
a paz, e a vida processa-se em inteira normalidade, e até com um
surto impressionante e espectacular de progresso económico e de
bem-estar social.
E
mais adiante:
...
o facto de a subversão ser estimulada por países estrangeiros e
apoiada fortemente por certas organizações internacionais e por
partidos extremistas obriga a vigilância constante em todo o
território nacional, sem excluir a metrópole, onde têm sido
praticados ou tentados actos de terrorismo tendentes a enfraquecer a
vontade de resistência ou a diminuir o potencial de defesa.
Nestas
condições, o Governo carece de continuar habilitado a, dentro da
legalidade, adaptar as providências necessárias para reprimir a
subversão e prevenir a sua extensão.
Embora
o reconhecimento dos pressupostos dessa habilitação possa
considerar-se mais de uma vez feito pela Assembleia Nacional, julga o
Governo conveniente que, com a entrada em vigor da Lei nº 3/71, de
16 de Agosto, a Assembleia formalmente, nos termos e para os efeitos
do § 6.º do artigo 109.º da Constituição da República
Portuguesa, se pronuncie sobre a existência e a gravidade da
sublevação que afecta algumas partes do território nacional,
gravidade que se acentuará, sobretudo, se não puder ser atalhada e
reprimida como convém aos interesses dos povos que as habitam que o
mesmo é dizer— da Nação Portuguesa.
Esta
comunicação não nos admira, dirão os Srs. Deputados, todos nós
sabemos que Marcelo Caetano era um fascista. E é verdade. Mas se
lemos alguns passos
da
comunicação é porque na sessão seguinte foi feita uma proposta,
depois aprovada, que dizia:
A
Assembleia Nacional, nos termos e para os efeitos do disposto no §
6.º do artigo 1O9.º da Constituição Política, reconhece que
persiste a ocorrência de actos subversivos graves em algumas partes
do território nacional.
E
o que talvez venha a admirar alguns é que essa proposta foi
apresentada à mesa por um grupo de Deputados fascistas entre os
quais se encontra o nome de João Bosco Soares Mota Amaral, conforme
consta na p. 2801 do Diário das Sessões, de 19 de Novembro
de 1971.
E
este senhor está aqui nesta Assembleia como Deputado do Partido
Popular Democrático.
Como
será possível o Sr. Mota Amaral vir agora nesta Assembleia
participar na elaboração de uma Constituição antifascista, quando
em 1971 afirmava
que
existiam actos subversivos em algumas partes do território-
nacional?
Esses
actos subversivos a que o Sr. Mota Amaral se referia o que eram?
Era
a justa luta dos povos irmãos das colónias contra o domínio
imperialista e colonialista português pela sua independência
nacional.
Era
a justa luta que os povos de Moçambique, Angola, Guiné e Cabo Verde
travavam de armas na mão, pela sua liberdade, para poderem tornar-se
senhores dos destinos, sacrificando os seus melhores filhos numa
guerra que lhes era movida para continuar a sua exploração e a
rapina das suas riquezas naturais. Era a justa luta do povo português
contra a tirania fascista, a exploração desenfreada, a miséria do
povo, contra a criminosa guerra colonial.
A
UDP apresenta aqui esta questão, porque não transige nem colabora
com fascistas. O caso que aqui apresentamos nem sequer é o de um
simples colaboracionista. Não. É o de um verbo de encher que se
sentou na Assembleia para aquecer as suas cadeiras e, na Assembleia
fascista, uma vez ou outra levantou o braço para votar traindo todo
o povo, Não, o Sr. Mota Amaral foi mais do que isso. Foi um dos
principais responsáveis por a Assembleia fascista ter dado plenos
poderes ao Governo de Marcelo para atalhar e reprimir, como diz a
comunicação, o povo português e os povos das colónias. E que é
que significou dar plenos poderes ao Governo fascista para atalhar e
reprimir?
Significou
o Governo fascista poder legalmente prender, torturar, assassinar nas
masmorras da sangrenta Pide os melhores combatentes do nosso povo que
se encontravam na frente das lutas pela liberdade, pelo pão, pela
paz.
Significou
o Governo fascista poder enviar legalmente as suas bestas de choque,
os PS-Ps, e GNRs contra as manifestações populares, as greves
operárias e as lutas dos camponeses. Significou o Governo fascista
poder legalmente incrementar a guerra colonial de assassínio dos
povos irmãos das colónias, nossos grandes aliados e que mais
directamente contribuíram para o derrube da ditadura fascista.
Srs.
Deputados: Os antifascistas, os revolucionários, os povos das
colónias não se esqueceram de quem é o Sr. Mota Amaral. Todos
sentimos bem na carne o que foi o aumento da repressão fascista a
partir de fins de 1971, com a força redobrada que o Governo de
Marcelo tinha depois da resolução que o Sr. Mota Amaral propôs. E
a voz dos mortos na guerra colonial assassina e de todos os que foram
reprimidos e martirizados pelo Governo fascista, apoiado nessa
proposta, não se apaga com uma simples passagem de esponja. Não
chegou o Sr. Mota Amaral dizer-se agora «democrata». Depois do 25
de Abril já vimos muitos camaleões mudarem de cor conforme as
conveniências e ainda não nos esquecemos do 28 de Setembro e do 11
de Março. Este senhor foi um destacado elemento fascista, que propôs
o aumento da repressão sobre os povos coloniais e povo português.
Este
senhor foi um elemento de vanguarda do fascismo. Este senhor foi o
porta—voz na Assembleia fascista de Marcelo Caetano. A UDP
pergunta: que leis vamos nós aqui fazer contra o fascismo? Que
legislação vamos propor para os tribunais que irão julgar os
fascistas, os pides, os legionários, quando aqui nesta Assembleia
está pelo menos um destacado fascista que passou um cheque em branco
ao Governo de Marcelo para dar as ordens aos pides, aos bufos, aos
legionários, etc.? Então vamos julgar e condenar os executores da
repressão fascista e pôr os que antes lhes davam ordens a fazer
Constituição antifascista?
Srs.
Deputados, foram estes factos de extrema gravidade que nos levaram a
fazer as propostas que agora apresentamos. As quais, e por dever para
com o povo português, juntamos a de que esta Assembleia não
reconheça o Sr. João Bosco Soares Mota Amaral como Deputado.
Certamente que depois do que aqui afirmamos muitas vozes se
levantarão nesta sala a dizer que esse senhor foi eleito pelo povo.
Mas a UDP pergunta: o povo português sabia destes factos que
acabamos de relatar?
O
povo português sabia que esse senhor tinha sido o proponente de que
fossem dados plenos poderes ao Governo de Marcelo para reprimir o
povo?
O
povo português não votou em normas. Votou naquilo que os partidos
diziam.
O
Partido Popular Democrático informou o povo português que um dos
seus candidatos tinha sido um destacado e importante elemento
fascista?
Os
órgãos de informação transcreveram estes factos que aqui
apontamos, e que esperamos que amanhã transcrevam, para que o povo
estivesse esclarecido?
O
povo português nunca se interessou pelo que se passava na Assembleia
fascista. E sabia que essa Assembleia era fascista.
Srs.
Deputados: Pelos dados e tempo de que dispomos só pudemos investigar
sobre este caso. Haverá com certeza outros casos sobre os quais
pedimos que seja a Comissão de Verificação a estudar e a
apresentar a esta Assembleia, para depois nos pronunciarmos. Por
exemplo, apresentamos as posições de repúdio que em várias
manifestações o povo tem tomado contra o Sr. Deputado Galvão de
Melo. E apontamos as variadíssimas posições que esse senhor tem
tomado publicamente como dizendo que «a Ditadura Portuguesa era
muito branda a ponto de não suscitar a oposição popular, com
excepção dos comunistas e de alguns socialistas»; e sobre as
torturas da Pide?
«. .. condeno-as; mas limitaram—se apenas
a poucos elementos obstinados» (ver Diário de Notícias, de 27 de
Abril de 1975).
E
ainda não nos esquecemos que esse Senhor apoiou a manifestação
fascista de 28 de Setembro através de um comunicado proveniente do
seu gabinete e transcrito em A Capital, de 27 de Setembro de 1974,
que o recebeu por intermédio do Ministério da Comunicação Social.
Nem
sequer nos encontramos esclarecidos sobre a forma como esse senhor
apareceu embrulhado no golpe de 11 de Março.
Srs.
Deputados: Espero ter sido perfeitamente claro naquilo que expus.
Tenho
dito.
Aplausos.”
Com a conivência
do
PS foi permitido que a “evolução na continuidade” Marcelista
chegasse intacta aos dias de hoje, iniciando agora nova mutação, parindo um partido fascista, o “chega”.
Ao
longo dos anos os “capos” ou chefes do PPD representaram um papel
fundamental no retrocesso, corrupção e empobrecimento do nosso
país. Veja-se os papéis decisivos que representaram Cavaco Silva e
mais recentemente Passos Coelho. Nomes ligados à finança e às
corporações da alta burguesia, principalmente do norte do país,
que nos conduziram a um estado de total dependência duma Europa
dominada e comanda pela direita, isto para já não falar nas
ligações que tiveram em processos ainda em curso, como o caso BES
de Ricardo Salgado, BPN, etc.
É
neste quadro importante salientar o nome de Marcelo
Rebelo de Sousa como o presidente dos “afetos” num quadro
“liberal”, da "doutrina social da igreja" e consequentemente a
tentativa do poder continuar nas mãos dos mesmos de uma forma “soft”
ou porque não dizer, um “direitismo de pantufas”.
O
PPD parido formado após o 25 de Abril de 1974 tem como origem a chamada
“ala liberal da ANP fascista, a quem carinhosamente Marcelo Caetano
apelidava dos “meus jovens amigos”. Os tiques do passado ficaram
e ainda hoje o actual líder do partido nega
que tenha havido fascismo em Portugal, “talvez apenas tenha
havido uma ditadura que até era branda”.
É
também muito curioso analisar o “regresso às origens” nas
soluções actuais da governança que esta casta encontrou.
Recentemente,
nos Açores foi dado posse a um governo, pelo presidente Marcelo
Rebelo de Sousa, constituído pelo PPD aliado ao que resta do CDS e
outros, com o apoio do partido fascista “chega” que foi fundado
por um militante do PPD e legalizado pelo Tribunal Constitucional,
embora o seu ideário ataque frontalmente a democracia e a
Constituição. Esta solução derrubou um governo PS de
carreiristas. Curiosamente em 1975 Mota Amaral foi posto em causa no
início dos trabalhos da Assembleia Constituinte, ele que viria a ser
um “chefe” dos Açores durante muitos anos.
Nos
dias que vivemos a pandemia veio proporcionar meios aos detentores do “poder
democrático” saído do 25 de Novembro de 1975, através de "estados de emergência" e outras medidas repressivas que, não melhorando a saúde pública vêm ao encontro dos interesses ditos "económicos". De um lado estão
os “governantes” e "técnicos" do outro, uma população
doente, empobrecida e alienada pelos muitos anos de “lavagem ao
cérebro” pelos media nas mãos de personalidades ligadas à “ala
liberal” da ANP e de corporações suspeitas. Basta ter em conta medidas como o condicionamento horário de acesso aos bens de consumo, aos fins de semana, provocando aglomerações de pessoas evitáveis, contrastando com as péssimas condições de transporte, por exemplo, dos trabalhadores durante a semana para exercerem as suas actividades profissionais.
Apesar
de alguns jovens jornalistas procurarem alternativas independentes no campo da
informação, de muito mérito (fumaça
e shifter
p.ex.) o peso do dinheiro e do conhecimento como manobrar nos
corredores do poder instituído é muito grande.
Para
finalizar: Justiça, que justiça? Saúde, que saúde? Educação,
que educação?
As
respostas estão sempre dependentes do tipo de sociedade que queremos
ter: Uma sociedade fraterna, solidária, justa que depende da
cidadania ou uma outra, a que temos actualmente, dependente do
capitalismo selvagem, das máfias corporativas, das seitas religiosas
e ameaçada por grupos fascistas fanáticos.
O
futuro nos dirá mas os sinais não são os melhores.
A
próxima eleição presidencial, embora não vá mudar nada,
constitui mais um passo para manter o poder nas mãos dos mesmos:
Políticos comprometidos com a finança nacional e internacional e
subordinados às corporações europeias e mundiais.
O
regime de democracia formal “representativa” vai continuar a
“adubar” o pântano de que um conhecido primeiro ministro do PS
fugiu em tempos idos. No outro lado estão os cidadãos acusados de
virar as costas à política (as sondagens apontam para 60% ou mais
de abstenção) quando na realidade o que se passa é que a cidadania
pouco interfere na condução da política tal é o espartilho
“legislativo” que blinda o poder vigente. Resta-nos a esperança
de que uma próxima geração varra este regime podre e caduco!
A
nós resta-nos resistir e dentro do possível sabotar esta máquina
trituradora da sociedade em que os ricos estão cada vez mais ricos e
os pobres cada vez mais pobres e doentes.
Nota: A utilização repetida das
palavras FASCISMO ou FASCISTA ao longo do texto é propositada. A
palavra extrema-direita é muito vaga e em Portugal durante quase 50
anos o que tivemos foi um regime FASCISTA e a ameaça que está aí à
porta é uma ameaça FASCISTA.
O autor não respeita o último
acordo ortográfico, sem qualquer fundamentalismo, escreve com
aprendeu na escola no século passado.